No dia 26 de agosto, a Secretaria da Educação do RS, em parceria com o Pacto pela Educação, realizou o seminário “(Re)pensar Educação: conexões entre neurociência, tecnologia e futuro da educação”, na PUCRS. O encontro reuniu especialistas de referência nacional para discutir como os avanços da ciência cognitiva e da tecnologia podem transformar as práticas pedagógicas e garantir melhores trajetórias de aprendizagem para os estudantes.
O estudante no centro: equilíbrio entre emoção e evidências
A secretária da Educação, Raquel Teixeira, destacou que a educação precisa estar alicerçada tanto em dados e evidências quanto no “coração”. Isso significa reconhecer o estudante como centro da política educacional, valorizando não apenas resultados acadêmicos, mas o desenvolvimento integral, que envolve dimensões cognitivas, socioemocionais e relacionais.
Competências cognitivas e socioemocionais no futuro da escola
O professor Bruno Bittencourt (Unisinos) trouxe a reflexão sobre como a escola deve equilibrar competências cognitivas com competências socioemocionais. Para ele, a inovação educacional não pode ser pensada apenas em termos de tecnologia, mas também de humanização. O futuro da educação exige olhar para a construção de sentido, empatia e colaboração, aliados a um uso inteligente de dados e evidências para orientar a prática pedagógica.
Modelos diagnóstico-cognitivos: avaliação que gera aprendizagem
O cientista-chefe em Educação Básica no Ceará, Jorge Lira (UFC), apresentou experiências inovadoras no uso de modelos diagnóstico-cognitivos em Matemática. Diferente das avaliações tradicionais, que classificam o estudante em níveis gerais, esses modelos permitem identificar de forma mais precisa quais habilidades cognitivas foram ou não desenvolvidas, considerando aspectos como compreensão conceitual, fluência procedimental, raciocínio matemático e modelagem.
Esse tipo de avaliação abre espaço para avaliações formativas mais eficazes, nas quais professores podem ajustar o ensino em tempo real, personalizando as estratégias e fortalecendo a aprendizagem ao longo do processo — e não apenas ao final.

A contribuição da neurociência para a sala de aula
O professor emérito da UFMG, José Francisco Soares (Chico Soares), mostrou como a neurociência e a ciência cognitiva podem apoiar tanto a pedagogia quanto a avaliação. Ele apresentou evidências sobre o funcionamento da memória, atenção, motivação e emoção no processo de aprendizagem, destacando que:
- A atenção atua como filtro, mantendo o foco em estímulos relevantes e inibindo distrações.
- A motivação e as emoções ativam circuitos cerebrais que tornam o aprendizado mais efetivo.
- A repetição e a recuperação são essenciais para consolidar o conhecimento na memória de longo prazo.
Esses achados ajudam a desenhar metodologias pedagógicas mais eficazes, conectadas ao que sabemos hoje sobre como o cérebro aprende.
Mapas de progresso e tarefas significativas
Chico Soares também ressaltou a importância dos mapas de progresso, que descrevem como o conhecimento e as habilidades devem evoluir ao longo da escolarização. Esse instrumento orienta tanto o currículo quanto a prática docente, permitindo que os professores criem tarefas significativas, que mobilizam conhecimentos de forma crescente em complexidade, do simples ato de recordar até a capacidade de aplicar e criar em novos contextos.
Educação baseada em competências
Outro ponto central foi o ensino por competências, que articula conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver problemas reais. Essa abordagem coloca o estudante como protagonista da aprendizagem e requer objetivos claros, avaliação para a aprendizagem (e não apenas da aprendizagem) e uma cultura escolar de colaboração.
Um futuro que integra ciência, tecnologia e humanidade
O seminário evidenciou a necessidade de articular três dimensões:
- Pesquisa acadêmica – produzindo evidências sobre aprendizagem.
- Inovação tecnológica – oferecendo ferramentas que apoiem professores e estudantes.
- Políticas públicas – criando condições para que ciência e tecnologia cheguem à sala de aula.
Mais do que nunca, (re)pensar a educação significa unir a potência da ciência e da tecnologia à sensibilidade humana, garantindo que cada estudante tenha as condições para aprender, se desenvolver e construir o futuro.


